19 setembro 2017

Janot, o Procurador Geral da República, sai desmoralizado e deixa a justiça ainda mais desmoralizada

Terminou ontem o mandato de Rodrigo Janot como Procurador Geral da República. Sai desmoralizado e deixa uma Procuradoria Geral desmoralizada e com graves problemas. Mas isso não deve espantar ninguém. Tudo, nas grandes instituições da justiça brasileira, hoje, é desmoralização. Do MPF ao STF.
Janot poderia ter tido um papel de mediador da crise política que o Brasil atravessa, mas não teve maturidade e nem competência para isso. Preferiu, sempre, agir pautado pela grande encenação dos principais atores do golpe. Talvez, sonhando tornar-se um deles.
Agiu sempre deslumbrado pelo poder, procurando posar de astro, com essa peculiar pretensão à importância que possuem os coadjuvantes que eventualmente são alçados aos postos de poder.
Com efeito, o mandato de Janot foi do tipo “canoa”: ele foi levado pela maré, ou seja, pela mídia, pela narrativa da mídia e pelos interesses da camada golpista, dentre políticos e empresários. Janot nunca teve liderança: seguiu à reboque dos acontecimentos, procurando apenas aparecer à frente das câmeras e holofotes.
O resultado da incompetência e do amadorismo da sua gestão na Procuradoria Geral da República é o caos no qual o país foi lançado: as grandes empresas brasileiras estão sendo liquidadas; as grandes estatais, algumas absolutamente estratégicas para a soberania e para o desenvolvimento do Brasil, estão sendo vendidas a preço de banana para empresas internacionais; o orçamento público foi comprometido, a níveis mínimos, provocando o total sucateamento da saúde e da educação, por vinte anos; o desemprego está aumentando a passos largos; a justiça brasileira está desmoralizada; imensas reservas ambientais estão sendo cedidas ao agronegócio; o país perdeu todas as posições que ocupava na cena internacional e a quadrilha Temer continua no poder, assistida por outras inúmeras quadrilhas, todas juntas, sob o olhar da PGE, do Ministério Público, do STF, desmontando o país.

Janot deixa uma herança maldita para Raquel Dodge: milhares de processos mal instruídos e não aprofundados. Prevalecendo a justiça, quase toda a operação Lava Jato, por exemplo, será revertida por meio do simples dispositivo da apresentação de conflitos entre as versões.

12 setembro 2017

Indo para a Inglaterra

Carxs,
Passo rápido para me despedir. Indo logo mais para Albion, to be scientist at Cambridge. Como sabem, minha contumaz timidez nunca segura essa vontade de entender o mundo, e vou me metendo nessas enrascadas - and I don't even know if my rough english is enough para contar minhas histórias. De todo modo, a gente vai quando a maré empurra, mesmo quando se quer ficar. Forte abraço, amigos. Nos revemos em fevereiro, perto do carnaval chegar. Nos revemos, sobretudo. Quer dizer, se o golpe não crescer e impedir - mas forte abraço, tout de même.

08 agosto 2017

Novo artigo publicado: No emaranhado do Guamá. Percursos etnográficos no feira de Belém

Mais um artigo publicado em parceria com a Marina: "No emaranhado do Guamá. Percursos etnográficos no feira de Belém". Na revista Ponto Urbe, no Núcleo de Antropologia Urbana da USP. 

Segue o link: https://pontourbe.revues.org/3404

Resumo: O artigo procura fazer uma descrição fenomenológica da feira do Guamá, situada no bairro de mesmo nome, em Belém-PA. Dialogando com procedimentos etnocartográficos, parte-se de uma exposição compreensiva das espacialidades da feira. Deseja-se valorizar a dimensão endógena da experiência espacial dos sujeitos sociais observados. Empreender uma fenomenologia do lugar significa, em nossa compreensão, um duplo movimento: primeiramente, indagar como os indivíduos encontram o mundo na sua complexidade espacial e, em seguida, interpretar como esses encontros são usados para dar sentido ao mundo espacial. Percebe-se o espaço como uma dimensão vivenciada pelos indivíduos, e não como algo prefigurado por meio de representações. Dessa maneira, a feira que descrevemos corresponde a um espaço na sua dimensão intersubjetiva: não como algo pré-ontologicamente dado, mas sim como uma construção em curso de sentidos.